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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

JIM MORRISON: RITUAL E A FORÇA DO MITO

Jim Morrison: símbolo mítico e ritual. Sem dúvida, Jim Morrison foi um dos símbolos mais significativos dos anos sessenta e setenta, não só no domínio da música, do rock, mas é uma das figuras mais emblemáticas no desenvolvimento da revolução sexual. Podemos confirmar que a sua validade ainda hoje existe e se expressa de diferentes maneiras.

Jim Morrison figura entre os fãs ao redor do mundo, que interagem constantemente no mundo virtual da internet, trocando idéias, avaliações e percepções dos fundamentados idílicos ou como narrações que levam à contínua construção da lenda, do mito, do Rei Lagarto.

Além disso, em termos etnográficos, sob a premissa de que símbolo remete ao mito e, portanto, o rito (Melichar 1996:89), foram obtidos dados de campo no cemitério Père Lachaise para assinalar o aniversário da morte de Morrison, em 03 de julho de 2001, registrando aspectos tanto da parafernália cerimonial e associado com o ritual como motivações e interesses daqueles que foram ao túmulo do herói nessa ocasião.


A hipótese sobre as ações dos fãs de Jim estão no túmulo onde os seus restos mortais se encontram, eles são feitos rituais que são realizados em uma base cíclica, além de Lizard King sobre a construção de uma série de narrativas que se constituem como versões diferentes de um mito. Por mito se entende aquilo que se opera no discurso meta-histórico no qual sinais tornam-se portadores de significados simbólicos. Os eventos reais ou personagens como símbolo (Navarrete, 1999: 245). Em outras palavras, "O mito tem sua língua e aparece na forma narrativa com arguição, tem estilo. Muitas vezes, porém, a beleza tem um história cultural, e a distribuição cultural é contraditória da instituição cultural e como tal, tem funções e significações psicológicas social e religiosa. "(De Waal 1975:209 - 210). O sentido do mito como representação da unidade imaginária e identidade, as influências das práticas sociais dos fãs do Lizard King, fornecendo uma imagem e um sentimento da unidade, independentemente da idade, nacionalidade e posição ou status (cf. Shantz 2000), que reflete não só no engajar e interação diária, mas também através da sua participação em rituais, como ocorre anualmente em Père Lachaise, ou nos encontros de Saraus, livrarias, comunidades na internet, etc.

De acordo com o exposto, e como parte da hipótese acima referida, “qualquer evento, pessoa ou lugar pode ser investido com significado simbólico no discurso histórico e assim, adquirir o estatuto mítico"(Navarrete 1999:244), portanto, consideramos que os fãs e as fãs de Jim Morrison, foram construindo um mito em torno da figura do cantor, desde os tipos de narrativas posições que eles próprios, independente de terem plasmado em seus imaginários como fantasiosas ou reais, constroem uma história em que Morrison surge como herói, semideus ou um deus. Desde pelo menos que a palavra "herói" nos remete, Jim faz parte do "vocabulário da mitologia (e, portanto, mesmo da antropologia religiosa”, mas também de vocação moral ou política, ou... Teatro e muito mais, dentro da esfera ampla da literatura ..."(Augé, 1993:177). Isto é, o mito Lizard King oferece aos seus seguidores um mundo vivo, articulado e carregado de amplos signos e valores significativos.
Em cada mito fala-se de personagens com qualidades especiais, ou sobrenaturalmente, cujas ações comuns com o mundo cotidiano "não pode ser de um herói e, portanto, contribui para dar sentido ao cosmos como uma estrutura social, referindo-se aos valores arcanos dá sentido à ordem ou ao caos e que são decretados ritualmente (cf. Eliade, 1983).

Com base nesses parâmetros, propõem um mito baseado no canônico datado de uma série de manifestações de fãs, onde cada um, mesmo obedecendo a um sentido pessoal e diferente, cada qual encontra os denominadores comuns a seguir, o que faz mover energias internas, psíquicas, as quais dão sentidos e direção.

Primeiro, os atributos físicos do personagem, beleza andrógino - qualificado mesmo como apolíneo -, faz com que eles se sentissem atraídos para essas qualidades. Ele atraiu para essa combinação arquetípica, esses parâmetros estéticos e visuais, sob a batuta acústica, rítmica das composições líricas controversas para a época. Além disso, nas sua aparições em público, sua conduta foi proposta contra a ordem estabelecida e provocou o caos promovido tanto entre os que assistiram shows dos Doors, como entre os que mantinham a segurança local, ou seja, a policia. Morrison provocava as massas com as declarações contrarias a ordem estabelecida, mas muitas vezes incluía seus próprios seguidores. Por outro lado, várias declarações sobre o seu conceito de liberdade, Morrison encorajava as pessoas a quebrarem as grades da prisão que cada ser humano constrói, que as faz sentirem-se incapazes de enfrentar seus medos mais profundos, como medo da sexualidade e do erotismo, abrir a mente para novas experiências, a proximidade da morte, o finito, a vida.

Estes são os princípios que fizeram da vida de Morrison uma figura importante, um herói em plena efervescência ante um mundo que parecia largar a própria pele, enquanto o Rei Lagarto propunha a metamorfose das velhas formas engessadas, cristalizadas e, portanto, "guia" do labirinto. Após sua morte, as mensagens polissêmicas que Jim deixou continuam seu percurso histórico, sempre emitido, tanto por suas ações e significados, contribuições para a sua validade e confere atribuições extraordinárias, em alguns casos podem ser classificados como místicas.

A história da vida de Jim Morrison é inerentemente complexa em muitos aspectos, o que muitas vezes torna difícil de entender em detalhes, inclusive com referência à sua morte. Sua vida foi cheia de acontecimentos importantes para todos envolvidos nos levantes dos anos 60. E ainda dá sentido e relevância para fornecer pontos de referência de um discurso contra as normas estabelecidas, na busca da liberdade.

Jim, como um bode expiatório para os loucos anos da contracultura, desempenhou o papel de desintegrar a ordem social através da promoção da crise sacrificial a ocorrer; ou seja, é transformado em Morrison responsável pelo caos e, portanto, torna-se um Salvador. Por causa de sua morte, voltou à ordem, o bode expiatório é odiado e ao mesmo tempo, o objeto de veneração (cf.Melich 1996).

Ele, em sentido mítico, representa a sua morte(e dos fãs, se assim o seguem) mas que é devolvida no fim, tal como rege o evangelho. Não preservar a vida: “ perder a vida para ganhá-la. Assim o bode expiatório é odiado e ao mesmo tempo, o objeto de veneração (cf.Melichar 1996:155).

A morte dá lugar à imagem e é mantida viva no padrão das substituições, transformando e promovendo-a em efígie, junta-se ao panteão das religiões, o caráter, o modelo, que dá significado e que será atribuído e concebido como um herói, moldado em imagem, configura-se e é endeusado e se tornou símbolo (Augé2001:32).

Com a morte do homem-deus começa a construção mito, da lenda, perpetuado e modificado dinamicamente através do tempo, e cuja função é servir como uma referência para dar uma ordem ontológica e existencial, aderir à figura de culto através de caminhos que são expressos no ritual (Eliade 1983:149-150).

O mito constitui-se como uma sanção, a carta fundacional da ação ritual (Díaz Cruz 1998:246). O rito se caracteriza por ser um ato simbólico que consta de um espaço cênico, espaço constituído por um palco, uma estrutura temporal, atores envolvidos na ação simbólica, organização de eficácia simbólica (Melichar,1996:90), então, “o ritual é a quintessência do costume, hábitos, pois representa a destilação e condensação de muitos costumes seculares e regularidades naturais comuns a todos" (Turner 1980: 55).

No cemitério de Père Lachaise a tumba do rei lagarto constitui-se uma área, um local sagrado, que é praticamente desprovida de símbolos, que carece de elementos icônicos especiais, exceto a placa de bronze colocada em 1991, com uma inscrição em grego antigo*, cujo significado escapa aos fãs que se reúnem lá. Consequentemente, as manifestações de culto envolve a tentativa de "construir" mediante elementos de materiais, um espaço especial. Então, coloque-se a parafernália pesada utilizada no ritual, que é uma série de representações icônicas do uso de espaço que continuamente resacralizam os que chegam ao local e são participantes de uma religião secular que se expressa, ademais, por não ser formalizada, além de ser mais discursivamente em graffiti e que, dialeticamente, é formalizada pela ação reiterativa, repetitiva, estruturadas pelos fiéis a Morrison que, desta maneira, estabelecem uma conexão com o deus-homem, com seu espírito e com a sociedade. Essas atividades, aparentemente públicas, tem sentido e significado dependendo do contexto e das atividades previas ai desempenhadas e de seu significado preestabelecido, baseando-se em signos codificados e cujos significados são descodificados.

O ritual é simbólico, procura e ajuda a construir conexões com o ambiente além do mundo físico e consciente (Gazin-Schwartz 2001:268). O ritual acontece em um local concebido para esse fim, onde se situam os restos do personagem icônico; materiais especiais simbólicos são comumente usados para relacionar à vida e os hábitos de Jim, que os dota de sentido especial e sagrado, aqueles que se reúnem para celebrar o ritual e realizar movimentos estilizados ou regulares, incluindo a quase obrigatoriedade tirar fotos que perpetuam o momento da visita ao local e participação nos rituais, além de proferir palavras para recordar o Rei Lagarto, incluindo cantarolar suas canções ou “recitar" seus poemas. No entanto, uma parte coloca sobre o tumulo diversos escritos, nem sempre visíveis aos olhos de outros, como exclusivos mistérios ocultos. No ritual cria-se ou recria-se uma relação especial entre os seres vivos e o homem-deus, entre o mundo e o submundo, as relações que podem ser um reflexo do cotidiano ou o inverso.

As práticas rituais são formas para que os indivíduos organizem a ambigüidade na vida social e nas relações com o mundo natural; O ritual foi projetado para criar um senso de comunidade entre os participantes, é um mecanismo que fortalece laços de solidariedade e que contribui para a construção de elementos de identidade (cf. Turner, 1988). O ritual faz parte da série de comportamentos que compõem a cosmovisão de seus participantes (Gazin, Schwartz 2001:268). As mesmas práticas discursiva manifestada diariamente por meio de mensagens dos adeptos da internet a Morrison são, em grande medida, práticas de natureza ritual que reforçam as estruturas cotidianas normais e comuns entre os indivíduos que navegam na internet, dialogando sobre deus-homem em busca de uma comunhão dentro de um campo simbólico e espiritual; a comunicação virtual contribui, pararelamente, a construção e ao dinamismo do mito e suas muitas versões no âmbito do simbolismo do rito.

A atividade ritual visa estabilizar as relações entre homens e combina a constituição da alteridade e identidade. Esse tipo de prática atribui a cada indivíduo um lugar e identidade social como a alteridade dos elementos individuais e únicas que se referem a sua origem, e visa também à interpretação e ao domínio de acontecimentos como a morte. O ato ritual permite a constituição da alteridade e da consciência de simbolização, desde que haja um domínio de dois eixos e as duas línguas do rito, ou seja, o da identidade e da alteridade (Augé 1995:84-86).

As identidades são formadas com base em um elemento que se aglutina e que relativo a este se afirma através da alteridade que transcende a sepultura em torno do personagem. A celebração do rito anula as diferenças resultante em função do sexo, idade ou, por exemplo, os indivíduos que professam alguma religião. A comemoração acontece em cada aniversário da morte do Rei Lagarto; é organizada em torno dos diferentes alterações do estado funcional na encenação, que envolve a responsabilidade para a ordem e os espectadores, gerando uma identidade comum que unicamente se constitui fixa no tempo e espaço da cerimónia ritual no cemitério, bem como no ciberespaço da internet (Augé 1995: 88-89).

Profeta, herói, personagem sagrado, semi-deus, guia, deus, senhor, rebelde, mártir, Apolo, ser privilegiado com a sua inteligência e beleza física, dionisíaco, heterosexual, beberrão...


Artigo publicado na Revista da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidad de La Rioja - Espanha

Copiei do blog (que é excelente!)  http://jimmorrisonpoeta.blogspot.com/

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Jim Morrison- Leitura de Palco na UMESP


Este vídeo foi feito na semana de Arte e Literatura da Umesp.
Fonte: Comunidade "O Navio de Cristal" (Orkut)
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=56421236&tid=5480492683828656568

Como é um vídeo maravilhoso, rico em informações, achei interessante colocá-lo aqui no blog.
É só copiar e colar o link no navegador. Não será necessário baixá-lo!
The Lizard King Live! E sua poesia sempre continuará atual e presente.

Deliciem-se:

http://www.megavideo.com/?v=G39TU8UZ

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Mais Morrison!!!




"GASTA-SE MAIS EM TABACO E ÁLCOOL DO QUE EM SAÚDE E EDUCAÇÃO, ESSA É A AMÉRICA"...




JIM MORRISON - OS MISTÉRIOS DO SER
Jim deixou-nos algumas canções e outros poemas. Viajou por terras onde nunca alguém havia penetrado e daí extraiu, por magia ou eloquência, o hedonismo da conquista. Violou o que de mais precioso nos pertence – O nosso lado mais secreto com as divindades. Por tal, não merece a redenção. Mas será que alguma vez a procurou? Esta noite não pretende ser uma homenagem a Jim Morrison. Nem tão pouco uma noite de evocação ou prantos. Uma reunião? Talvez… Um reencontro de energias onde o Xamã Álvaro Costa convoca Rui Pedro Silva e exorta os mitos e as lendas de um poeta – Era só isso que Jim queria. Ser um poeta como Kerouac ou Rimbaud. Nada mais… Indiferentes a sua mais ínfima vontade, fizemos de James Douglas Morrison a maior Rock Star de todos os tempos.No final da transmissão, conversa e uma revisita á música dos Doors, com o Dj Lizard Mojo… Noite dentro… Nas penetráveis portas da Casa das Artes.
Texto escrito por ocasião de uma homenagem a JIM MORRISON na Casa das Artes, PORTUGAL.
A CASA DAS ARTES é uma das melhores Casa de Cultura de Portugal e da Europa.




Coloco aqui mais poesias desse ser maravilhoso que, com suas poesias e letras de músicas conseguiu incomodar os farsantes do poder (tanto que rola uma "lenda" que Jim fora assassinado pelo FBI). Este poema "An American Prayer" é um dos meu favoritos:



Um Orador Americano




Conheces o quente progresso de baixo das estrelas?
Sabes que existimos?
Terás esquecido as chaves
do Reino?
Terás nascido ja
& será que estás vivo?
Reinventemos os deuses, todos os mitos
das eras
Celebremos os símbolos das anciãs florestas profundas
(Terás esquecido as liçõesda guerra antiga)
Precisamos de grandes cópulas douradas
Os pais cacarejam nas árvores
da floresta
A nossa mãe está morta no mar
Sabes que estamos a ser conduzidos ao matadouro
por plácidos almirantes
& que lentos generais gordos
se tornam obscenos com o sangue jovem
Sabes que somos governados pela TV
A lua é uma besta de sangue seco.
Bandos de guerrilheiros contam efectivos
no próximo canteiro de verdes vinhas
preparando-se para a guerra
contra inocentes pastores que
se limitam a morrer
Ó grande criador do Ser
Concede-nos uma hora mais
para exibirmos a nossa arte
& aperfeiçoarmos as nossas vidas
As traças & e os ateus são duplamente divinos
& mortais Vivemos, morremos
& a morte não é o fim
Viajemos ainda mais para dentro do
Pesadelo
Agarra-te à vida a nossa flor apaixonada
Agarra-te ás conas & caralhos do desespero
Obtemos a nossa última visão com o esquentamento
A virilha de Colombo
encheu-se de morte verde
( Toquei a coxa dela& a morte sorriu)
Reunimo-nos no interior deste antigo
& insano teatro
Para propagarmos o nosso desejo pela vida
& escaparmos à enxameante sabedoriadas ruas
Os celeiros foram arrasados
As janelas conservadas
& apenas um de todo o resto
Dança & nos salva
Com o divino arremedo
das palavras
A música inflama o temperamento
( Quando os verdadeiros assassinos do
Reitêm licença para vaguear livremente
1000 Magos erguem-sena terra)

Onde estão as festas que nos prometeram
Onde está o vinho
O Vinho Novo
( morrendo na vinha )
gozação permanente
dá-nos uma hora para a magia
Nós os da luva púrpura
Nós os do voo do estorninho
& da hora de veludo
Nós os gerados por prazeres arábicos
Nós os da cúpula do sol & da noite
Dá-nos um credopara acreditarmos
Uma noite de Luxúria
Dá-nos confiança
Na Noite
Dá de corcem matizes
Uma rica Mandala
para mim & para ti
& para a tua sedosa
e almofadada casa
uma cabeça, sabedoria
& uma cama
Confuso decreto
A gozação permanentete reivindicou
Customávamos acreditar
nos bons velhos tempos
Que ainda recebemos
sem modo escasso
As Coisas Amáveis
& o sobrolho carregado
Esquecem & consentem
Sabias que a liberdade existe
num livro escolar
Sabias que os loucos são
quem dirige a nossa prisão
dentro de uma jaula, dentro de uma gaiola
dentro de um branco, livre e protestante
Estado de confusão violenta
Empoleirámo-nos, temerários
à beira do aborrecimento
Estendemo-nos para a morte
na ponta de uma vela
Esforçamo-nos por algo
que já nos encontrou
Podemos inventar os nosso próprios reinos
grandes tronos purpúreos, aquelas cadeiras de luxo
& amar nós devemos, em camas de ferrugem
Portões de ferro fecham os gritos do prisioneiro
& a musiqueta, Onda Média, embala os seus sonhos
Sem o orgulho dos negros para alçar os sorrisos
enquanto os anjos trocistas coam as aparências
Ser a colagem do pó de revista
Esboçada na testa dos muros da confiança
Isto é só prisão para aqueles que devem
levantar-se de manhã & lutar por tais
padrões inutilizáveis
enquanto raparigas chorosas
exibem penúria & caretas
delirantes a uma turba
louca

Uau, estou farto de dúvidas
Vivo à luz de um certo
Sul
Laços cruéis
Os servos têm o poder
homens-cão & e as suas mulheres mesquinhas
esticam pobres cobertores sobre
os nossos marinheiros
(& onde estavas tu na nossa
hora difícil)
A mungir o teu bigode?
ou moendo uma flor?
Estou farto de rostos severos
Fixando-me da torreda TV.
Quero rosas no
meu caramanchão, entendes?
Bebés reais, rubis
devem agora substituir estranhos
abortados na lama
Estes mutantes, alimento sanguíneo
para a planta cultivada
Estão à espera de nos levar ao
jardim separado
Sabes o quão pálida & sensacionalmente travessa
chega a morte, numa hora estranha
não anunciada, não planeada
como um aterrador convidado amigável que tutrouxeste para a cama

A Morte faz anjos de todos nós
& dá-nos asas
onde tínhamos os ombros
suaves como as garras
de um corvo
Basta de dinheiro, basta de vestidos bonitos
Este outro reino parece de longe o melhor
até a sua outra mandíbula revelar incesto
& perder obediência a uma lei vegetal
Não irei
Prefiro uma festa de Amigos
à Família Gigante

(II)

Grande Cristo gritante
Olaré
Maria Preguiçosa quererás levantar-te
numa manhã de domingo
"O filme irá começar em 5 momentos"
Anunciou aquela voz sem sentido
"Todos os que estiverem de pé, esperarão
pelo próximo espectáculo"
Desfilámos lentamente, languidamente
até ao átrio. O auditório
era vasto & silencioso
Enquanto nos sentávamos & fomos obscurecidos
A Voz continuou:"O programa para esta noite não é novo.
Já viram
este entretenimento uma & outra vez
Viram o vosso nascimento, a vossa
vida & morte; podem recordar-sede tudo o resto -
(tiveste
um bom mundo quando
morreste?) - suficiente
para basear um filme?"
Uma risada metálica bateu-nos
no espírito como um punho
Vou-me embora daqui
Onde é que vais?Ao outro lado da manhã
Por favor, não afugentes as nuvens
os pagodes, os templos
A cona dela agarrou-o
como uma mão quente
e amigável
"Está tudo bem.
Todos os teus amigos estão aqui."
Quando posso ir ter com eles?
"Depois de comeres"
Não tenho fome
"Oh, queríamos dizer bateres"
Corrente de prata, grito prateado
concentração impossível
Aí vêm os comediantes
vejam como eles sorriem
Vejam-nos dançar
uma milha índia
Vejam como gesticulam
Um tal aprumo
Dá gestos a toda a gente
Palavras fragmentam
Palavras sejam rápidas
Palavras parecem bengalas
Planta-as
E elas crescerão
Vê como vacilam então
Serei sempre
um homem de palavra
Mais que um homem-pássaro
Mas ponho na conta
Não se vá embora
sem depositar um dólar
Tenho de dizer outra vez
em voz alta, percebeste a ideia
Não há comida sem o aumento de combustível
Ora esta, o espalhafato irlandês
soltou-me o bico
no pico dos poderes
Ó rapariga, solta
o teu pente atormentado
Ó mente preocupada
Peca nos sertões
perdidos através do esconderijo
Ela cheira a dívida
no meu novo colarinho
Prosa arrogante
Amarrada num rede de veloz perseguição
Por isso a obsessão
É fácil admitir
um ritmo rápido e emprestado
A Mulher meteu-se entre eles
Mulheres de todo o mundo uni-vos
Tornem o mundo seguro
Para uma vida escandalosa

Hee Heee
Corta a goela
A vida é uma anedota
A tua mulher está num fosso
O mesmo barco
Lá vem a cabra
Sangue Sangue Sangue Sangue
Estão a transformar o nosso universo
numa anedota

(III)

Caixa de fósforos
Serás tu mais real que eu
Vou queimar-te, & libertar-te
Chorou lágrimas amargas
Cortesia excessiva
Não esquecerei

(IV)


Uma doentia lava quente assomou,
Sussurrando & borbulhando
O rosto de papel.
Máscara-espelho, amo-te espelho.
Sofrera uma lavagem cerebral durante 4 horas.
O Tenente baralhou de novo"pronto a falar"
"Não senhor" - era tudo o que ele diria.
Regressa ao ginásio
Meditação
muito pacífica
Base aérea no deserto
espreitando para fora através das persianas
um avião
uma flor do deserto
boneco fixe
O resto do Mundo
é imprudente & perigoso
Olha para os
bordéis
Exploração de
Filmes para machões

(V)

Um barco sai do porto
cavalo ruim de um outro matagal
fúrcula do desejo
desacredita a raposa de metal.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Poesias de Jim Morrison

Jim Morrison... Ouvindo esse nome automaticamente lembramos do The Doors. De uns tempos pra cá, ao ouvir o nome Jim Morrison me vem em mente suas poesias e depois, claro, as músicas magníficas dos Doors. Jim Morrison era vocalista do The Doors, mas como poeta assinava seu nome de batismo: James Douglas Morrison.
Muitos acham que Jim era apenas um vocalista drogado, mulherengo, bêbado e totalmente locão; O filme de Oliver Stone (que era seu colega na Universidade) ajudou muito a difundir essa imagem, diga-se de passagem. Só que a maioria das pessoas não conhecem suas maravilhosas poesias. Jim era culto, sensível, sempre vivia com um livro, recitava poesias durante os shows dos Doors, era cineastra, ensaista, escritor... Um Xamã da década de 60! Ele estava á frente do seu tempo e ficava frustado por não reconhecerem seu trabalho.
Suas influências vão de Rimbaud, Honoré de Balzac e Nietzche (suas teorias sobre moralidade ,estética e apolínea-dionisíaca, tiveram presença marcante em toda vida e obra do Jim).
Como disse Ray Manzarek em uma entrevista no ano passado: "Jim foi um gênio que tocou a todos nós. Sua sensibilidade e sua inteligência estavam acima da época, mas nenhum gênio vive para o seu tempo; ele vive para um tempo futuro. O tempo de Jim viria somente 20 anos depois de sua morte".

Talvez para Jim o "ser poeta" era ser o que foi escrito por Rimbaud: "...um poeta torna-se um sonhador através de um longo, ilimitado e sistemático desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; investiga-se a si próprio, consome dentro de si todos os venenos e preserva as suas quintessências. Um tormento indescritível, onde irá encontrar a maior fé, uma força sobrehumana, com que se torna, de entre todos os homens, o grande inválido, o grande maldito – e o Supremo Cientista! Pois alcança o desconhecido! E que interessa se for destruído no seu vôo extático por coisas inauditas e inomináveis... " Jim experimentou tudo isso, desregrou todos os sentidos, apostou todas as suas "fichas"... Ele sempre estava em busca do Desconhecido, da Liberdade Livre, aliás ele sempre fora muito preucupado com a sua liberdade e isso é escancarado nas suas letras nas músicas dos Doors e nas suas poesias.
Então, como eu sou uma fanatica pelo The Doors e apreciadora convicta de toda obra poética do Jim, deixo aqui muitas poesias dele, pois não é muito fácil encontrar seus livros traduzidos aqui no Brasil, algumas letras dos Doors de sua autoria e algumas frases do meu querido Lizzard King!

"A verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta. ... e é por isso que sinto pela poesia este apelo tão forte – porque é eterna. Enquanto houver pessoas, elas podem lembrar-se de palavras ou combinações de palavras. Mas nada pode sobreviver ao holocausto a não ser a poesia e as canções. [...]. Se a minha poesia pretende atingir alguma coisa, é libertar as pessoas dos limites em que se encontram e que sentem".


A Celebração Do Lagarto


LEÕES NA RUA
Leões na rua & deambulando
Cães com o cio, enfurecidos, espumando
Uma besta encurralada no coração da cidade

O corpo da sua mãe
Apodrecendo no chão veronil
Ele abandonou a cidade

Foi para o Sul
E atravessou a fronteira
Deixou o caos & a desordem
Para trás
Por cima do ombro

Uma manhã ele acordou num hotel verde
Com uma estranha criatura gemendo ao seu lado.
Suada lamacenta da sua pele brilhante.

Estão todos?
Estão todos?
Estão todos?
A cerimónia está prestes a começar.

ACORDEM

ACORDEM!
Vocês não se lembram onde foi
Terá este sonho parado?
A serpente era ouro pálido acetinada & encolhida
Tínhamos medo de tocá-la.
Os lençóis eram quentes e mortas prisões.
E ela estava a meu lado, velha,
Ele é, não; jovem.
O seu escuro cabelo ruivo.
A suave pele branca.
Agora, corre para o espelho da casa-de-banho,
Olha!
Ela vem para cá.
Não consigo viver em cada lento século do seu movimento.
Deixo a minha bochecha escorregar
O ladrilho fresco e suave
Sente o bom e frio sangue borbulhante.
Os silvos suaves, serpentes de chuva...

UM PEQUENO JOGO
Antes eu tinha um pequeno jogo
Gostava de rastejar no meu cérebro
Penso que sabes qual o jogo que me refiro
Refiro-me a um jogo chamado Enlouquecer

Agora devias tentar este pequeno jogo
Apenas fecha os olhos e esquece o teu nome
esquece o mundo, esquece as pessoas
E nós ergueremos um campanário diferente.

Este pequeno jogo é divertido de fazer.
Apenas fecha os olhos, impossível perder
E eu estou aqui, eu vou também
Liberta controlo, estamos a atravessar

OS HABITANTES DA COLINA
Bem no fundo do cérebro
Passando bem o limiar da dor
Onde nunca há nenhuma chuva

E a chuva cai suavemente sobre a cidade
E sobre as cabeças de todos nós

E no labirinto de correntes por baixo
Sossegada e celeste presença de
Nervosos habitantes do monte nos suaves montes de volta
Répteis com fartura
Fósseis, cavernas, frescas elevações de ar

Cada casa repete um molde
Janela rolou
Um carro de besta trancado contra a manhã
Todos dormem agora
Cobertores silenciosos, espelhos livres
Pó cega debaixo das camas de casais legítimos
Enrolados em lençóis
E filhas, enevoada com sémen
Olhos nos seus mamilos

Esperem! Ouve um massacre aqui
Não pares para falar ou olhar em volta
As tuas luvas e o leque estão no chão
Vamos sair da cidade
Vamos de fuga
E tu és aquela que eu quero me vir!!

NÃO TOCAR NA TERRA
Não tocar na terra, não ver o sol
Nada mais a fazer a não ser fugir, fugir, fugir
Vamos fugir, vamos fugir

Casa no topo do monte, a lua jaz quieta
Sombras nas árvores testemunhando a brisa selvagens
Anda, querida, foge comigo
Vamos fugir

Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir

A mansão é amena no topo do monte
Ricos são os quartos e os confortos lá
Vermelhos são os braços de luxuosas cadeiras
E não vais saber nada até entrares lá dentro

Corpo morto do Presidente no carro do condutor
O motor funciona a cola e alcatrão
Anda connosco, não vamos muito longe
Para Este conhecer o Czar

Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir

Alguns foras-de-lei vivem junto ao lago
A filha do ministro está apaixonada pela serpente
Que vive num poço junto à estrada
Acorda, rapariga, Estamos quase em casa

Sol, sol, sol
Queima, queima, queima
Lua, lua, lua
Apanhar-te-ei em breve... em breve... em breve!

Eu sou o Rei Lagarto
Posso fazer qualquer coisa

OS NOMES DOS REINOS
Nós chegamos dos rios e auto-estradas
Nós chegamos de florestas e cascatas
Nós chegamos de Carson e Springfield
Nós chegamos de Phoenix encantada

E posso dizer-te os nomes dos Reinos
Posso dizer-te as coisas que sabes
Ouvindo por um punhado de silêncio
Trepando vales até à sombra

O PALÁCIO DO EXÍLIO
Durante sete anos habitei no livre Palácio do Exílio
Jogando estranhos jogos com as raparigas da ilha
Agora estou de volta à terra dos justos
E dos fortes e dos sábios

Irmãos e irmãs da pálida floresta
Crianças da noite
Quem de entre vós fugirá com a caça?

Agora a noite chega com a sua legião púrpura
Metam-se nas vossas tendas e nos vossos sonhos
Amanhã entramos na cidade do meu nascimento
Quero estar preparado.



"O GÊNERO DE LIBERDADE MAIS IMPORTANTE, É SERES VERDADEIRO / TROCAS A TUA REALIDADE POR UM PERSONAGEM / TROCAS OS TEUS SENTIDOS POR UMA ATUAÇÃO/ DESISTES DA CAPACIDADE E EM TROCA POES UMA MÁSCARA/ NÃO PODE HAVER UMA REVOLUÇÃO EM GRANDE-ESCALA, SE ANTES NÃO HOUVER REVOLUÇÃO INDIVIDUAL DA PESSOA/ PRIMEIRO TEM QUE ACONTECER CÁ DENTRO."


"As pessoas precisam de Fios

Escritores, heróis, estrelas,

dirigentes

Para dar sentido à vida

O barco de areia de uma criança virado

para o sol.

Soldados de plástico na guerra suja

em miniatura. Fortalezas.

Navios de Guerra de Garagem.

Rituais, teatro, danças

Para reafirmar necessidades Tribais & memórias

um chamamento para o culto, unindo

acima de tudo, um estado anterior,

um desejo da família & a

magia certa da infância."



"No primeiro brilho do Éden nós corremos para o mar, ficando por lá, na praia da liberdade

Esperando pelo sol.

Você não percebe que agora que a primavera chegou,

é hora de viver ao sol difuso?

Esperando pelo sol

sperando que você venha até aqui

Esperando que você me diga o que deu errado

Essa é a vida mais estranha que eu já conheci"

(Waiting for The Sun)


"Sabem do febril progresso sob as estrelas?

Sabem que nós existimos?

Esqueceram porventura as chaves do Reino?

Já foram dados à luz e estão vivos?

Vamos reinventar os deuses e os mitos das idades;

Celebrar símbolos do mais fundo das antigas florestas (Esqueceram as lições da guerra pretérita)

[...]

Sabem que temos sido levados

à matança por almirantes plácidos

e que lentos generais gordos se tornam

obscenos com o sangue jovem"

(Fragmento de Uma Oração Americana)



Desperte
(Fragmentos de "Poemas das Leituras do Village" Desperte)
Sacuda sonhos de teu cabelo minha bela criança, minha doçura
escolha o dia & o signo de teu dia, a primeira coisa que vês.
Uma árvore queimada, como uma gigantesca
árvore primordial, uma folha, seca & amarga, crepitando histórias em suas cálidas ondas.
Os deuses da calçada serão o suficiente para ti.
A floresta da vizinhança,
O vazio museu perdido & a meseta & o prenhe monumento do Monte por cima da banca de revistas onde as crianças se escondem
Quando terminam as aulas.